segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Estrelas douradas


Estrelas mudam de lugar. Você, com suas três estrelas douradas, percorreu minha vida, meus sonhos e principalmente minha alma por quase dois anos. Tuas estrelas também percorreram meu corpo. Um corpo intacto, casto, mas que pra você e pra elas, as estrelas, se tornou vadio e quente. Estrelas, movimentos, nós. Não consigo lembrar de como era minha vida nessa cidade sem a sua presença em meus dias. Lembro do nosso início bobo, quando essas estrelas desfilavam para lá e para cá, batiam a porta e me olhavam com um desejo discreto. Aquela brincadeira inocente que acabou tornando-se amor. As mesmas estrelas que eu segurei acima do seu ombro ao te beijar pela primeira vez. Fetiche. Essas estrelas... De olhar em olhar, de beijo em beijo, de conversa em conversa, tiraram meus pés do chão tantas e tantas vezes, até que eu embarquei sozinha nesse amor que eu acreditei ser lindo. Lindo porque eu sempre quis que fosse assim. E fechei os olhos, e me fechei, e fechei meu coração, pendurando uma placa enorme: PROIBIDO ESTACIONAR! Hoje você se foi e deixou a vaga livre. Mas continua lá...você e suas três estrelas douradas. Não queria perder as estrelas. Não queria perder o poder e a segurança que elas me davam. Amar você foi a segurança mais insegura que eu já vivi. Estrelas, douradas, dourantes e doloridas. Estrelas que deixaram incontáveis feridas. Estrelas que agora, peço eu, mudem de lugar. Saiam do mais alto pedestal e fiquem embaixo do tapete da porta de entrada. Onde todo mundo pisa antes de entrar. De você quero isso. Distância e esquecimento. Por favor, saia urgentemente do meu coração e o deixe livre para um amor real e verdadeiro.

(04 de agosto de 2011)

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