Acordo cedo, tomo banho, me arrumo, visto a lingerie que comprei especialmente pra hoje e fico linda pra você. Pro seu dia. Te mando mensagem prometendo quarenta e seis beijos bons para logo mais. Tento desguiar o chefe que insiste na reunião pra constatar informações in loco às onze da manhã. Falo com você, que me informa de uma reunião inesperada que começa meio dia. Fico triste, porque isso praticamente significa não te ver hoje. Logo hoje? É o vestido. É culpa do vestido. Ainda assim, me arrumo e fico linda de novo. Mas a tarde passa sem notícias suas. Penso, penso, penso, até começar a amadurecer aos poucos a decisão que precisa ser tomada. Combino um chá da tarde com uma amiga, porque não quero voltar pra casa cedo. Distraio-me com os problemas dela, que fala da sua história, mas eu a escuto como se fosse minha. Você liga, falando de todos os obstáculos que nos atrapalharam hoje e resolvemos então combinar de enganar o vestido. É ele que sempre dá azar. Até ensaio uns sorrisos, porque você provoca isso. E também porque sei que os empecilhos do dia de hoje não foram culpa sua. Mas, inevitavelmente, volto pra casa frustrada e tiro sozinha o vestido cheio de botões e a lingerie linda e nova. Só não tiro da cabeça a insatisfação por esse dia dezesseis ter sido tão sem emoções e tão diferente do que eu tinha planejado. Lembro, por fim, da frase de uma amiga pateta: fique atenta aos sinais.
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