quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Intensidade

Lendo “Comer, rezar e amar”, ela se debateu com a seguinte pergunta: “Qual a sua palavra?”
Ficou pensando se teria uma, mais de uma ou nenhuma. Pensou em delicadeza, pensou em carinho, mas ambas são açucaradas demais, e ela tem seus momentos de nenhuma delicadeza e nenhum carinho. Aí, num momento qualquer, de um dia qualquer, ela simplesmente achou sua palavra. Intensidade. É assim que ela se define. Intensidade em tudo. Nas coisas boas e também nas ruins. Ela vive a intensidade da admiração, que pode ser por um artista, um amigo, um professor ou simplesmente por ela mesma, quando acorda linda. Ela escuta intensamente a música que toca o seu coração. Uma, duas, três, dez, vinte, cem vezes. Até enjoar. É intensa na raiva, onde sai a menina cheia de sorrisos e entra a mulher que consegue ser fria que nem uma geladeira. Ela lê um livro intensamente, de forma que quando percebe que esta chegando ao fim, fica guardando páginas, lendo devargazinho, relendo e relendo, só pra não ter que ser despedir. Ela pede a mesma cor do esmalte, até não agüentar mais. Isso também com um sapato, uma bolsa e uma maquiagem. Ela é intensa quando descobre um novo tempero, um novo sabor e um novo restaurante. Ela é intensa com uma mesma palavra no vocabulário. Atualmente “beijomeliga”. Ela é intensa quando vê seu filme favorito todas as vezes que forem necessárias pra aquecer o coração. Ela é intensa quando não gosta de alguém, coisa que tem dificuldade de disfarçar. Ela é intensa no olhar, que comumente é doce e sorridente, mas também intimidante quando se faz necessário. Por tudo isso, ela percebeu, hoje, num dia qualquer, numa hora qualquer, que tem sim sua palavra. Intensidade.

(17 de junho de 2009)

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